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18.9.08

NA NOITE FRIA

Oscar Mendes nos apresenta um inusitado conto de lobisomem. Boa leitura!

NA NOITE FRIA


Oscar Mendes



É noite de quinta para sexta-feira. Uma fina e gélida chuva cai sobre a cidade deserta e um vento forte varre as ruas.

Nada se ouve, apenas o som monótono das gotas que caem no chão já frio e o medonho assobio do vento incessante.

A cidade parece morta.

Testemunha ou guardiã da noite, a Lua Cheia debilmente clareia a cidade, tentando vencer as nuvens que dominam o céu.

Pelas ruas mal iluminadas um homem caminha apressadamente. Seus passos se apressam ainda mais quando ele ouve um estranho ruído. Seu corpo se arrepia ao sentir que alguma coisa o observa. Onde? Impossível dizer, o som da noite não permite que ele possa precisar.

Completamente apavorado, seus passos antes ligeiros transformam-se em uma desabalada correria. A ânsia de chegar à sua residência e sentir-se seguro é o que o motiva. Essa é sua esperança, talvez essa seja sua única alternativa.

Seus pulmões queimam. O desesperado homem não está acostumado a tamanho esforço físico. A baixa temperatura do vento que lhe corta a face também contribui para minar sua resistência. As ruas escorregadias por diversas vezes quase o levam ao chão.

Adiante, em uma esquina, um vulto parece aguardar sua aproximação.

O pânico toma conta do homem que desesperado grita por socorro. Em vão. Ninguém responde aos seus apelos e ao perceber que o vulto enigmático lentamente se aproxima ele percebe que está próximo da morte.

Inútil correr, inútil gritar.

Exausto, aterrorizado, inconsolável, ele cai de joelhos ao chão molhado. Suas lágrimas misturam-se às gotas da fina chuva que já encharcam suas roupas.

Cabisbaixo, como entregando sua vida à voracidade daquela fera que já está de pé diante dele, o homem apenas sente a dor causada pelos dentes da bestial criatura que lhe abocanha o pescoço.
Ela banqueteia-se com seu sangue e, após dispensar o corpo inerte do homem no asfalto úmido e frio, sai em disparada pelas desertas ruas da cidade que dorme.

Buscando outra vítima, ou na ânsia de encontrar um lugar seguro para se abrigar, quem pode responder?

Meio bicho, meio gente. Ao raiar do Sol o Lobisomem retorna à sua condição anterior, humana, porém cansado e com o resto de suas vestes manchados com o sangue inocente da última vítima.
Isolado, remoendo-se com o peso do remorso causado pelas vidas que sua bestial condição o obriga a ceifar, ele permanece isolado até a chegada da próxima noite, em que a maldição da Lua voltará a transforma-lo em fera.

Outras noites, incontáveis, incessantes, terríveis, ainda estão por vir...

FESTA DOS CACHORROS

O escritor Valdeci Garcia estréia como colaborador da Câmara com um conto arrepiante
FESTA DOS CACHORROS

VALDECI GARCIA



Os cachorros faziam festa todas as madrugadas quando ele chegava. Depois que ele morreu, calaram-se por três dias e três noites. Na quarta noite, às 3 horas da madrugada, Assumpta acordou assustada com o tropel dos cachorros no quintal. Eles faziam festa para alguém – a mesma festa que faziam para o falecido dono. Assumpta abriu a janela e viu o portão aberto. Os cachorros saltavam e corriam de um lado para o outro do quintal espaçoso. Ela sentiu medo e fechou a janela. Voltou para a cama. Cobriu a cabeça. Ficou escutando os latidos lá fora. Depois de cerca de cinco minutos, tudo silenciou. Curiosa, levantou-se e abriu a janela novamente: o portão estava fechado; os cachorros dormiam em suas respectivas casas. Na madrugada seguinte, também por volta das 3 horas, aconteceu a mesma coisa. Mas, desta vez, depois que os cachorros silenciaram, Assumpta sentiu que alguma coisa gelada se deitava ao seu lado na cama de casal. Seu corpo gelou até a raiz dos cabelos. – Besteira minha – pensou, enquanto sacava do rosário e se punha a rezar para a alma do marido defunto. Mas as orações não evitaram que a festa dos cachorros acontecesse todas as madrugadas; e que Assumpta sentisse o calafrio mortal logo depois que os cães silenciavam. Chamou a mãe e lhe disse: “Mãe, acho que o falecido está me assombrando”. A velha lhe explicou que isso era normal, quando o casal se separava pela morte abrupta de um deles, fosse o marido ou a mulher. Aconselhou a filha a irem ao cemitério levar flores e dizer, ao pé da lápide, que a morte acabara com o santo laço que os unira; que o morto fosse com Deus.


O falecido, porém, não foi com Deus. Numa noite fria, Assumpta acordou com grunhidos no cômodo ao lado. Levantou-se rapidamente e correu ao quarto da mãe. Encontrou-a suspensa no ar por mãos invisíveis. Debatia-se com a língua de fora e o rosto congestionado: alguém a tentava enforcar. – Seja lá o que for, solte minha mãe, pelo amor de Deus! – Assumpta gritou, no mesmo instante em que o corpo da velha se chocava com o chão, livre do mal que o afligia.

Na manhã de chuva, céu púmbleo, Assumpta foi até o cemitério com a mãe. Encontrou-o deserto àquela hora. O coveiro, com cara de sono, mal respondeu quando elas lhe disseram “bom dia”. Seguiram pelas aléias cinzentas, passaram por túmulos seculares, e desembocaram no setor mais novo do cemitério. Impaciente, Assumpta caminhava na frente da mãe: queria chegar logo ao túmulo do marido. Por este motivo, a anciã não pôde sequer tentar segurá-la ao vê-la cair para trás, numa síncope; quando chegou ao túmulo e deu com ele aberto: o cadáver do marido havia sumido. (Na casa de Assumpta, nesse exato momento, os cachorros faziam festa.)

O CRIME DO DR. JINDAL

O mestre dos contos grotescos Paulo Soriano nos brinda mais uma vez com um conto sui generis de ficção-científica. Boa leitura!



O CRIME DO DR. JINDAL
Paulo Soriano


Nasci a bordo da Pegasus, filho de um engenheiro espacial e de uma simples auxiliar de enfermagem. Embora cada um dos tripulantes da nave tivesse passado por um rigoroso teste de seleção – e isso implicava um rastreamento genético, que ascendia a várias gerações pretéritas –, por algum motivo, há bem pouco tempo inexplicável, nasci com um defeito inadmissível em tripulantes de naus interestelares. A lei no espaço é de uma rigidez de aço. Conheço-a muito bem. Contudo, o antigo geneticista-chefe da missão era amigo íntimo de meu pai e, por isso, às ocultas, eu fui poupado. Decerto não apenas a amizade pesara em sua decisão: certamente (assim confidenciou-me a minha mãe moribunda), o Dr. Jindal avaliara que eu não significava um risco considerável para a missão. Atualmente, eu acrescentaria um motivo mais incisivo. Meu pai nunca soube de minha anomalia e dela tomei conhecimento recentemente: contou-ma a minha mãe, em seu leito de morte. Ela ia confidenciar-me algo mais – algo que me pareceu urgente e importante – , mas não houve tempo.

Hoje, também o meu pai está morto. O Dr. Jindal ainda vive – tem quase noventa anos e sofre de esclerose aguda –, e, como ele já o esqueceu, não é mais o único, além de mim, que sabe de meu segredo. Estudei Direito e sou o magistrado-mor da Pegasus. A corte a que presido, composta por três juízes e um escrivão, se reúne uma vez por mês para instrução e imediato julgamento. As causas são raras e, geralmente, de simples resolução. Hoje, porém, o Ministério Público apresentou à corte um caso complexo. O réu é o próprio Dr. Jindal.

Viera da Terra uma denúncia contra o geneticista. Ela levara tinta e sete anos para chegar até nós. Há quarenta e cinco anos que vagamos no espaço e, sequer, estamos a meio caminho de Alfa do Touro. Daí toda preocupação com a perfeição genética das gerações futuras.

Pesa sobre Dr. Jindal a acusação de haver contribuído para a falsificação de seu histórico genético no exame de admissão à Missão Alfa do Touro. Ele, além de ser em si mesmo um perigoso contrafator, mascarara uma predisposição à transmissão de um raro gene, responsável por uma disfunção do caráter, potencialmente perigosa para a missão.

O primeiro juiz votou pela absolvição: argumentou que Dr. Jindal era um celibatário, não deixara prole e, nos dias atuais, não poderia mais procriar. Concluiu que a intenção da lei era garantir a segurança genética das proles vindouras. Inexistente o risco, não haveria por que condenar o octogenário. Além disso, o Dr. Jindal não teria, devido à esclerose avançada, consciência do ilícito que praticara há mais de cinqüenta anos, e nem entenderia o caráter punitivo da aplicação da pena capital.

O segundo magistrado votou pela condenação: durante todo o tempo em que permanecera na nave, o Dr. Jindal a expusera a um risco que não se poderia admitir. O simples fato de pôr deliberadamente a missão em risco era suficiente à condenação, pouco importando o atual estado de consciência do criminoso.

Pois bem: a vida do homem que me salvara estava nas minhas mãos. O voto de Minerva era meu. Qualquer ser humano minimamente decente levaria em consideração este fator. Mas, convenhamos: eu padeço de uma disfunção genética, que afeta o meu caráter irremediavelmente: sou vingativo. Portanto, não terei qualquer responsabilidade ao assinar o decreto de morte do Dr. Jindal. Afinal, foi ele próprio quem me transmitiu o gene da vindita. Como poderia perdoar alguém que fez de minha mãe uma adúltera e que me ocultou, durante tanto tempo, a minha verdadeira e odiável origem?

Amanhã, às imaginárias nove horas da manhã, Dr. Jindal enfrentará a câmara de gás.

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A Rainha dos Pantanos - Henry Evaristo

Virgílio - Henry Evaristo

UM SALTO NA ESCURIDÃO - Henry Evaristo publica seu primeiro livro

O CELEIRO, de Henry Evaristo

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