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29.10.08

O POÇO


O conto O POÇO retorna à página principal da Câmara, primeiro por insistencia de amigos generosos e segundo por que simpatizamos com ele. Boa leitura!

O POÇO


Henry Evaristo


Chovia a cântaros na noite em que joguei minha esposa nas águas frias e escuras do poço de minha mansão. O vento sinistro da tormenta açoitava como um gélido flagelo minhas roupas encharcadas enquanto eu a ouvia agonizar afogando-se em algum ponto em que as trevas já impossibilitavam a visão.

Depois entrei aliviado em minha residência e tudo parecia ter adquirido uma coloração diferente do cinzento ao qual eu estava já tão habituado. Olhei para todos os lados e aquele novo colorido me fez lembrar os tempos de infância e de liberdade. As lágrimas escorreram por meu rosto onde um inelutável sorriso se estampara sem que nem ao menos pudesse percebê-lo antes de deparar-me, inesperadamente surpreso, com o imenso espelho na parede esquerda da sala. Ali, pela primeira vez em vinte anos, vi a minha própria imagem refletida sem que sobre ela restasse a sombra medonha da criatura odiosa com quem eu havia contraído um matrimônio peçonhento e trágico. Felizmente a esta tragédia eu havia dado um ponto final esta noite! Mais tarde, já alta madrugada, subi ao quarto principal; deitei-me na imensa cama de casal e não pude conter as gargalhadas por senti-la tão espaçosa, tão definitivamente minha!!! Era exatamente isso que eu ansiara por tanto tempo: espaço, privacidade, silêncio. Oh, o silêncio era tão precioso para mim! E aquela bruxa horrenda nunca o respeitara. Agora respeita! Coberta que está, por litros e litros de água fria e escura, no fundo do poço onde a joguei, pois, com exceção do leve ruído dos galhos das árvores roçando as paredes do lado de fora da casa, movidos pela força do vento, tudo mais é quietude.

Quando despertei mais tarde nem mesmo percebera que adormecera e, ao olhar em meu relógio de pulso, descobri que passava um pouco das três da manhã. De início fiquei aturdido tentando imaginar o que me arrancara de um sono reconfortante como há muito não tinha. Depois percebi que o vento lá fora ainda estava furioso, pois os fortes galhos das árvores ao redor da casa continuavam a arranhar e forçar portas e paredes.

Decidi levantar-me e ir até a janela desfrutar um pouco da paisagem de minha propriedade sob aquela chuva torrencial, pois paisagens noturnas, sob tormenta ou nevoeiro, sempre me agradaram com seus aspectos lúgubres. Ao abrir as cortinas sobre a vidraça que era a janela de meu quarto, no entanto, tive uma enorme e perturbadora surpresa, pois, apesar de ainda estar ouvindo o uivo do vento e o arranhar dos galhos nas paredes, toda a chuva já passara e o céu estava límpido e carregado de estrelas.

No entanto, os barulhos continuavam e de repente assumiram um novo aspecto. Agora que a convicção da precipitação como causadora não mais existia, minha mente abrira um novo leque de possibilidades e o gemido que ouvia não era mais do vento e tampouco os arranhões nas paredes estavam do lado de FORA da casa. Pelo contrário: pareciam vir subindo rapidamente as escadas para o segundo andar onde eu estava.

Fiquei parado, paralisado, na sacada de meu quarto e senti minhas pernas dobrarem quando, do corredor, em um ponto bem em frente à porta, veio um uivo pavoroso que era um misto de dor, medo e ódio; um lamento que era animal, mas, antes de tudo, continha uma humanidade desesperada. Caí de joelhos pedindo à providência que me poupasse daquele horror, fosse ele o que fosse, e baixei a cabeça com os olhos fechados em alguma espécie de oração mal articulada.

Neste momento ouvi a porta do quarto ceder sob uma incrível pressão e em seguida uma maligna rajada de vento quente invadiu o ambiente. No final eu não podia me mover; os grilhões do medo me haviam aprisionado para além das possibilidades humanas, pois não era humano aquilo que entrou em minha casa aquela noite. Em meio ao calor que me atingia ainda tive duas sensações antes de desmaiar: a de um tênue cheiro de um perfume, que me era bastante conhecido dos tempos de casado, e a de que jogavam em mim, de um ponto mergulhado na escuridão a minha frente, gotas de alguma água fria e pegajosa. No entanto o que me tirou os sentidos não foi, de maneira alguma, uma impressão e sim uma percepção bem concreta, pois senti quando alguma fera diabólica, com um hálito frio e fétido, se abaixou sobre mim e me sussurrou no ouvido:

"Maldito, tu nunca mais dormirás de novo!".


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