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20.11.09

MATILHAS - HENRY EVARISTO

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MATILHAS Henry Evaristo





Na noite em que morri... Na terrível noite em que o projétil do malfeitor logrou travar seu terrível diálogo com meu cérebro, no mesmo instante, açulou-me a coisa mais negra saltada dos mais negros confins abissais.

“Por que tu não passas a atormentar teus atormentadores? Uhm? Agora que expiraste seria bem fácil, pois não? Se quisesses...?

E esta sua pergunta foi então a chave em nosso encontro. Eu, por causa do universo que adiante transmutava em mil formas diferentes, não lhe dei ouvidos. Ao que ela retrucou:

“Tu não és aquele que em vida buscou sempre o sombrio, o insólito? Não erraste por campos desolados à procura de sítios lúgubres onde a fantasmagoria era una com a própria terra? Não querias esconder-te nestes lugares malsãos sob os troncos morféticos de árvores ancestrais para, oculto, ler os escritos dos necromantes? Onde o vento frio agita em silêncio as folhas secas e faz correr as crias dos eucaliptos não era para ti lugar ideal? Tu não te surpreendeste amiúde a refletir sobre o uso da filosofia do pentagrama e o serviço de suas colunas? E o que me dizes de já teres andado a folhear os livros mais escabrosos dos templários e de depois saíres a fitar a escuridão dos poços em busca de vislumbres do deus-barbudo?”

Tantas questões eu vi aquele ente erguer à minha índole, mas tudo ao meu redor era tanto que simplesmente não desejava ater-me a aspectos tão antigos de meu eu terreno em detrimento das maravilhas que vi se avizinhando. Então deixei falando sozinha aquela desmedida e deslocada abominação.

“Tu não me respondes?” Reclamou ela. E continuou com sua ladainha. “Olha que sou aquele agente universal, a própria alma da terra. Sou aquele que nunca foi, que poderia ter sido, e que verdadeiramente é! Não respondes, não obstante, me ouves e, a mim, basta que o teu subconsciente entenda (pois nele estive presente por todos os teus dias!) que venho a ti em nome do que espreita de pé sobre o altar e trago comigo seus muitos nomes.

Com efeito, devido o passar lento do tempo, não pude mais me abster daquelas violentas vibrações malévolas. Lamentava ter que deixar de observar, no entanto, o sol transfigurado à minha frente, com angélicas presenças aladas pairando ao seu redor no firmamento, para me voltar àquelas patas cascudas e àqueles olhos opacos verticais que espreitavam às minhas costas.

“Se, como te peço, voltasses, tu serias rei! Conhecerias todos os arcanos desde antes do que sabe a esfinge. Desde antes do existir dos tempos!”

E disse ainda muito mais.

Assim me ia instigando a criatura, me aliciando lentamente. Eu, olho no horizonte, via já as carruagens vindo céleres conduzidas por senhores de nobreza e beleza augustas cujas coroas traziam escrito meu nome.

“Tu terias tudo do teu novo mundo, da tua segunda vinda. Tu terias tesouros, e com eles, pessoas; almas para um rebanho precioso! tu...”.

“Chega!” Gritei com um sorriso. “Chega desta maldita ladainha venenosa que tu há muito já destilaste contra um outro homem bem mais notório do que eu!” Contudo não olhei para trás novamente. “Vê, arauto, a imensa placa de cristal sob tua asquerosa massa corporal é também a mesma sob minhas pernas. Não posso atravessar de volta por ela. Tu tampouco! Ademais, os meus outros captores, por assim dizer, já se aproximam e hão de me levar ao paraíso dos cultos, ao cerne de toda a questão humana. Vai-te daqui! Vade retrum! Não há espaço para ti na minha nova obra, nem aqui, nem lá, nem em lugar nenhum. Tu entendeste tudo muito mal: Não passei a vida a te procurar nos ermos ou no éter, não! A despeito das cavernas e bosques que visitei; e vales e morros e florestas sombrias que alcancei; a despeito do Goethe que li e reli; do Crowley e do Levi que esmiucei; do Agrippa e do Platão que decorei na solidão e no frio, tão somente procurei uma explicação para ti e para o teu emissário e postulado. Não queria encontrar-te na cripta escura, pois não posso encontrar aquilo em que não creio! Queria apenas aprender a me defender das más índoles, queria ocupar o vazio em meu ser, mas mesmo isso, em vida, me foi negado, e por um poder tão imensamente maior que o teu que tu imediatamente te tornarias migalhas; pó deploravelmente invisível. Mas não pude! O braço do inimigo que buscava compreender atingiu-me antes quando, por mim mesmo, tirei-me a vida. Sou hipócrita? Recuso-me a crer no que diante de meus olhos e por trás de minhas costas está? Será possível que galgo os degraus das esferas ainda mergulhado no suplício da dúvida? Tenho em mim a convicção de que tudo me será revelado a seu tempo. Vai-te daqui, já te ordenei! E vai sozinho como sempre, e desce ao Tártaro que é teu lugar, imagino!”

Então um sorriso há muito apagado e esquecido estendeu-se-me no rosto. “Vai sozinho...” Gritei. “Pois quem alcança o inalcançável e vê o invisível, satisfaz-se de oferendas. Nem o louco mais louco trocaria as maravilhas que tenho prometidas no azul pela perspectiva rubra de teus olhos baços. Eu te usei, para teu prejuízo, agora chorai por teu longo caminho de volta!”

Neste momento senti afrouxar-se a opressão que me esmagava o peito em silêncio e nada mais falei pois meus guias de doravante já aportavam diante de mim e me tomavam sob seus auspícios definitivos erguendo-me, em seguida, num torvelinho por sobre nuvens de marfim argênteo.

Só ao longe me lembrei de olhar para trás e não ouso recordar o horror estando agora em tão maravilhosa ilha de deleites. Só o que me permito lembrar e dizer é que ainda pude ver a maldita criatura mergulhando, alada e tricéfala, num abismo hediondo onde os ventos abrigavam os silfos, a terra acobertava os sacrílegos gnomos, na água habitavam maldosas ondinas e o fogo era o lar das diabólicas salamandras. Posso, no entanto, falar à vontade da maravilhosa criatura translúcida que enxugou a lágrima última que a curiosidade me fez verter quando perdi de vista a malfadada besta tentando desesperadamente haver-se com milhões de furiosas matilhas.

_______________________________________________

NOTA DO AUTOR: Este conto foi escrito no início dos anos 2000 num período em que nos encontravamos de certa forma dedicados ao estudo de conteúdo místico ocultista. Portanto, alguns elementos contidos na trama podem ser de difícil compreensão para os não-iniciados nas doutrinas abordadas.

OBSERVAÇÃO: Os elementos contidos neste conto não representam as crenças de seu escritor.

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