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27.7.09

A FAZENDA DOS FLORENCE


A FAZENDA DOS FLORENCE
Henry Evaristo

Sempre soube dos rumores a respeito da propriedade dos Florence. Na pequena cidade onde nasci nenhuma criança se aventurava ao longo da estradinha de terra que levava aos portões enferrujados da velha fazenda ao sul. Desde cedo, em suas residências, lhes era ensinado a temer a estranha família. Ao longo dos anos faziam com que acreditassem que os Florence eram malvados, perigosos, diabólicos. Mas era mais do que isso. Lembro-me de que, certa noite, ao pé da lareira com meu pai, o ouvi contar para todos nós, de sua casa, como a triste família se havia perdido nos caminhos das trevas; como havia trocado as bençãos de Deus pelas falsas promessas de fortuna feitas pelas coisas que andam no inferno e que eles evocavam graças aos poderes da velha matriarca. Ainda me causa calafrios a maneira como meu pai parecia acreditar em tudo o que contava e a forma como ele nas advertia para manter distância, pois aquelas pessoas eram monstros reais que, em noites enluaradas, vagavam soltos dentro dos limites da velha propriedade. "Foram os demônios que os mudaram, meus filhos" dizia meu pai, e seus olhos faiscavam iluminados pelas chamas vermelhas do fogo voraz na parede.

Depois que cresci, deixei a localidade e me mudei para a capital. Meus pensamentos se voltaram para coisas mais importantes. Estudei, graduei-me com honras no curso de Física e assinei um contrato com uma multinacional. Casei-me com uma mulher cuja beleza impossibilitava-me de admitir, mesmo lá em meu íntimo mais profundo (este que sempre acaba assomando em nós nas horas da madrugada), que pudesse haver no mundo algo tão horrendo quanto o que diziam existir em minha terra natal. Hoje entendo que estas histórias sempre me acompanharam e que todo o meu destino convergiu para a noite fatídica de que vos falarei agora.

A última lembrança que guardo de meus tempos de criança é de ouvir a gritaria das pessoas na praça central. Enfurecidas, elas corriam em torno de uma carroça numa noite de inverno. Havia armas nas mãos de muitos e a exigência de que os estranhos Florence devolvessem aos pais uma menina loura que desaparecera. Recordo-me do velho xerife tentando conter a massa que surpreendera alguns membros da amaldiçoada família tentando comprar medicamentos em uma farmácia.

Mas o que me toca mais profundamente até hoje é a lembrança do olhar que me lançou o mais novinho dos quatro que vi. Um garotinho enfermiço e de pele pálida e suja que me olhou de cima da carroça cercada por cidadãos ensandecidos. O pavor, o medo em seus olhos, causou-me repulsa àquelas pessoas; pois me fez sentir, de uma só vez, o peso dos anos de discriminação e banimento a que vinham sendo submetidos todos daquela fazenda isolada. Aquela criança, que como eu ainda olhava o mundo de baixo, já não era apenas mais um menino. Era um homem triste e assustado. Um pobre diabo acuado por todos os lados que perdera a infância antes mesmo de tê-la conhecido.

Nestes meus dias finais, quando não sei se o que me matará primeiro será a velhice, o câncer ou a vilania desta cidade grande e impiedosa, digo que o que havia de errado com aquelas pessoas dos Florence (a despeito daquilo que vi, à noite, em frente aos portões da velha fazenda - e que pode perfeitamente ter sido apenas o fruto de uma mente viciada) era tão somente o fato de eles serem pobres e, oriundos de distantes terras estrangeiras, manterem costumes diferentes dos da comunidade que tanto os demonizava. Penso comigo, em meio às minhas inúmeras reflexões de velho, se não foi pelo que presenciei naquela praça que resolvi, tempos depois, deixar a cidade. Acho que a vergonha cobriu meus passos desde então.

Foi assim que decidi, após a morte de todos que me eram caros, e quando a solidão deu asas à minha disposição para viajar, voltar à velha terra para saber o que afinal fora feito dos miseráveis fazendeiros. Sentia que pediria mil desculpas a qualquer deles que encontrasse pelo caminho.

Desembarquei no início da noite na mesma praça central que tanto povoara minhas más lembranças por mais de cinqüenta anos. O ônibus que me trouxera só perdia em decrepitude para aquele horrendo centro em ruínas. Espantava-me e me mortificava ver que nada mudara! Tudo permanecia exatamente como eu deixara e, por alguns instantes, esperei mesmo ver a carroça dobrando mais uma vez a esquina perseguida pelos vândalos locais.

Na verdade aproximava-se um veículo escuro vindo do ponto em que a principal cruzava com a dezesseis. Parou diante de mim e o motorista abriu uma porta ruidosa que já tinha visto dias bem melhores.

“Ei, Chapa!” Era meu amigo Warren Nesbel. Não era mais apenas gordo como antes. Agora estava calvo e abatido.

Nos dias subseqüentes conversamos e relembramos aquilo que não havíamos relembrado ao telefone antes de minha chegada. No último dia agradeci sua hospitalidade por receber-me em sua residência e, sem muita cerimônia, lhe pedi o carro de empréstimo.

“O que vai fazer?” Perguntou ele mesmo sabendo do que se tratava. E emendou: “Olhe, amigo, nós não queremos saber deles. Pelo que me consta nem existem mais. Aquela terra toda está abandonada. Ninguém vai lá! Assim como sempre foi.” E me olhou com uma expressão realmente apreensiva em seu semblante flácido. “ah, o garotinho...” continuou ele. “O que te olhou... Não sabemos nada dele. Pode ainda estar por lá.” Depois ele se calou diante de meu olhar impassivo. E entregou as chaves.

Quando ia saindo da frente de seu endereço, ele me segurou pelo braço. “Wilfred, por favor não vá lá. Deixe amanhecer pelo menos. Aquele lugar é um horror à noite.”

Mas eu estava irredutível e fiz menção de soltar meu braço de suas mãos. Ele afrouxou a pressão e, por fim, me largou.

Depois que dei a partida no motor, no entanto, ele bateu à janela do passageiro. “Wilfred” disse ele. “Não saia do carro. Você não sabe o que anda por lá, no escuro!” Depois me deu as costas e entrou na casa bem iluminada. Eu sabia que ele me aguardaria e que, se houvesse alguma demora que julgasse inaceitável, chamaria a polícia e a mandaria em meu encalço.

Devo confessar que não foi sem um mínimo de apreensão que tomei a estrada abandonada que levava à fazenda dos Florence. Era de terra batida e dominada por árvores de copas tão espessas que tornavam a escuridão da noite ainda mais pétrea e intransponível. Tudo o que se podia delinear na escuridão fora do carro eram os raios de uma lua cheia que fazia vazar seus raios por entre as árvores e lançava, aqui e ali, barras de luz amarelada na estrada adiante. A fantasmagórica luminosidade ocre me possibilitava divisar vagamente partes do sombrio interior da floresta que margeava o caminho.

Em certos trechos a estrada era tão estreita que eu tinha a impressão de que o veículo não conseguiria seguir adiante, pois ficaria preso às margens altas pelos retrovisores. Do nível do solo, um observador a pé se sentiria como se subjugado por aqueles morros que se elevavam desde a beira do caminho e partiam terreno a dentro até atingirem as elevações mais altas no horizonte. A região era, assim, sem dúvida, terreno fértil para as fantasias do povo simples local e ali já haviam sido avistadas todo tipo de abominações horrendas atribuídas, obviamente, à maldição diabólica dos Florence.

De repente, a despeito de minha situação bizarra, vagando em alta madrugada por uma estrada abandonada em direção ao local onde diziam que monstros erravam ferozes e famintos, surpreendi-me buscando na memória algo que quebrasse a aura negativa que aquele lugar insistia em moldar em meu imaginário. Lembrei então de quando eu era um garoto de cerca de nove ou dez anos e Ernest Florence costumava brincar nas terras de nossa família. Saía da propriedade de seus pais e atravessava a cidade até alcançar nossa fazenda. Ali, pulava a cerca e escalava o grande carvalho que havia num ponto ermo da propriedade. Algumas vezes eu o avistava ao longe recortado contra o poente, magro, cabisbaixo, solitário em meio aos galhos balouçantes. Recordei a vez em que eu fora ao seu encontro. Por algum motivo ele não se apressou em se afastar como normalmente fazia quando alguém tentava se aproximar; também por esta época a perseguição brutal e imoral a que sua família era submetida ainda não alcançara os paroxismos do famigerado “dia da praça”.

Ele simplesmente saltou dos galhos da árvore e ficou lá parado me observando diminuir a distância entre nos dois. Era louro, tinha olhos azuis aguados e um rosto afilado marcado por sarnas. Notei um número exagerado e inusitado de pelos escuros que brotavam precocemente de seu pescoço e aquilo me levou a crer que fosse bem mais velho do que eu imaginara ao vê-lo apenas de longe.

De repente ele sorriu para mim. Era algo estranho o seu semblante; como se, na verdade, não soubesse sorrir e se esforçasse para emitir uma imitação canhestra de um sorriso. Seu rosto, neste momento, me lembrou os dos manequins das lojas do centro. Depois ele me deu as costas e correu. Com incrível agilidade saltou por sobre a cerca e desapareceu rapidamente pela estrada.

Fiquei parado em baixo do velho carvalho imaginando como seria a vida de um garoto como aquele; nos motivos pelos quais diziam que ele e os seus eram monstros. E minha imaginação ia muito além do que costumavam chegar as imaginações das crianças de dez anos de meu tempo!

De súbito um brilho incomum me fez despertar deste semi-transe em que eu mergulhara, em meio às minhas recordações, e me trouxe bruscamente de volta à estranheza daquela estrada escura. Pareceu-me notar um reflexo amarelado e cintilante à margem esquerda do caminho. A velocidade do veículo, no entanto, não me permitiu vislumbrar nada com exatidão e, provavelmente, forneceu-me uma impressão errônea de ter avistado, na verdade, dois olhos enormes me espreitando do escuro. Perscrutei o retrovisor, mas nada mais pude divisar no trecho por onde passara.

À minha frente surgiu então o portão principal da propriedade dos Florence. O vento aumentara consideravelmente e ao estacionar o carro no acostamento, e desligar o motor, mesmo com os vidros erguidos pude ouvir os gemidos que ele provocava quando passava por entre as árvores na floresta. Mantive os faróis acesos pois percebera que a cerca de madeira da fazenda balouçava muito embalada pela forte movimentação do ar. No entanto a escuridão era tamanha que pouco as luzes do carro me ajudavam. Resolvi ignorar os avisos de meu amigo da cidade e saltei para fora do carro.

O cenário no exterior era insuportável. Não havia, de fato, alma crente que ali se postasse sem sentir no coração as fisgadas de um medo sobrenatural que era incontrolável e involuntário. De minha parte senti meu corpo sendo percorrido por calafrios que jamais imaginei serem possíveis.

Ao longe a sede da fazenda se encontrava envolta numa escuridão tão densa que seu peso parecia incidir violentamente sobre minhas costas. A gigantesca silhueta negra da construção rústica fazia lembrar algum deus mitológico adormecido e mergulhado nas trevas; num caos de ventos violentos e gemidos agonizantes.

Fiquei parado diante dos portões de madeira apodrecida. Não podia acreditar que as pessoas da cidade simplesmente não sabiam o que ocorria naquela fazenda; ou não sabiam sequer se estava ou não habitada.

Subitamente minha atenção foi atraída por um movimento na cerca de arame que passara a se agitar de uma forma que não condizia com o sopro do vento. Arqueara-se como se pressionada para baixo por algum peso extraordinário. Olhei para a escuridão que se estendia ao longo, para o lado esquerdo, e com esforço pude divisar um vulto grande equilibrando-se sobre a malha farpada de aço. Assemelhava-se á uma grande ave que, empoleirada na cerca, tivesse as asas abaixadas. Depois o vulto emitiu um pio agourento que me pôs em corrida desesperada na direção do carro. De lá os faróis iluminavam parte do terreno para além do portão de entrada. E, banhadas pela luz difusa, avistei paradas na escuridão criaturas que por um momento me tiraram a sanidade. Eram como imensas corujas negras que me fitavam com imensos olhos amarelados.

Entrei no automóvel e tranquei as portas imediatamente. Logo minha respiração ofegante e descompassada encarregou-se de embaçar os vidros das janelas. E não pude ver exatamente as coisas que me cercavam do lado de fora. Sei que bem ouvi seus gritos e risadelas. E ouvi quando piaram lamentosamente do alto da cerca e de dentro da fazenda. Depois creio que desmaiei ou o pavor me conduziu para mundos dos quais depois não tive qualquer recordação.

Quanto retornei à lucidez ainda estava dentro do carro. A luz do dia já ia alta e eu continuava parado diante dos portões da fazenda dos Florence.

Havia um homem do lado de fora. Ele olhava curioso para o interior do veículo e quando me viu abrir os olhos deu um salto para trás como se assustado. Algo em seu rosto me era extremamente familiar e tão logo me recompus e o olhei bem pude reconhecer o rosto do estranho garoto que me fitara na praça central. Estava bastante idoso, assim como eu, mas sua compleição física era a de um homem mil anos mais velho.

Saí do carro e fiquei diante daquele esboço de dias longínquos. Seu semblante era tão cansado e triste que me mortificou ainda mais que a lembrança do horror da noite anterior. Não disse nada e simplesmente ergueu uma das mãos na qual trazia um copo com água que me entregou. Depois, com um sorriso tímido, me deu as costas e caminhou para o portão entreaberto onde o aguardavam outras pessoas tão tristes e assustadiças quanto ele próprio. Não carregavam, entretanto, nenhum traço das monstruosidades que eu avistara na escuridão.

Deixaram-me parado na estrada ensolarada repleto de pensamentos estranhos e conflitantes. Será mesmo que havia monstros naquele lugar? Ou minha imaginação, movida pelo medo, trabalhara contra mim naquela noite?

Foi assim, confuso e abalado, que retornei à cidade, devolvi o veículo a seu proprietário sem dizer uma palavra e nunca mais voltei. Nesbel veio até a porta da rua antes que eu me fosse para sempre. "Eu chamei a polícia!" Disse ele. "Mas eles não quiseram ir até lá procurar por você. As coisas por aqui são muito dificeis, compreenda!"

Agora, que já não tenho muito tempo nesta vida, sinto que se romperam em mim muitas das convicções de outrora. E já não sou capaz de sair de casa à noite sem primeiro esquadrinhar cuidadosamente os céus e os lugares escuros ao meu alcance para me certificar de que não estou sendo vigiado por estranhos e imensos olhos amarelados.

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