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28.10.08

O DIABO JOGA COM O MORDOMO

A Câmara dos tormentos apresenta aos seus amigos e colaboradores mais um clássico da literatura fantástica universal; um dos contos de uma série de estórias de fantasmas do escritor Daniel DeFoe, criador do célebre Robinson Crusoe


O DIABO JOGA COM O MORDOMO


Daniel DeFoe


Um cavalheiro na Irlanda, que morava perto da casa do conde de Orrery, mandou seu mordomo para a aldeia a comprar cartas-de-baralho. Já a caminho este percebeu, num descampado, um grupo de gente sentado à mesa, sobre a qual se viam variadas iguarias. Ao se aproximar, os comensais se levantaram e o saudaram, convidando-o a sentar-se, partilhando da comida. Indo até o mordomo, um deles o aconselhou sussurrando: - Não aceite nada do que eles oferecerem! Então, tendo ele recusado a comida que lhe ofereciam, todas as iguarias desapareceram e o grupo passou a dançar e cantar ao som de instrumentos invisíveis.

Novamente ele foi convidado a participar, mas também se negou a acompanhá-los. Diante disso, interromperam a dança e começaram a trabalhar, convidando mais uma vez o mordomo para que se juntasse a eles. Seguindo o conselho recebido, ele se recusou mais uma vez e então todos desapareceram, deixando-o sozinho. Assustado, depois de se recuperar de uma vertigem, o mordomo retornou à casa, sem ter comprado os baralhos, relatando ao patrão o que lhe havia acontecido.

Um dos fantasmas surgiu junto à sua cama na noite seguinte ameaçando arrastá-lo pelas ruas caso saísse do seu quarto. Resignado, manteve-se fechado até o final da tarde, mas, com a necessidade de urinar arriscou-se a sair. Mal pôs um pé para fora quando uma corda o laçou pela cintura, arrastando-o pela rua em grande velocidade. Várias pessoas assistiram a cena e correram atrás, sem contudo conseguirem sequer se aproximar do coitado.

Um cavaleiro, montando um fogoso cavalo, presenciando a correria e percebendo que os seguidores não conseguiam alcançar o homem, aprestou-se a interrompê-la segurando a corda; quase caiu com o tranco que recebeu um tranco pelas costas, com a extremidade da corda; mas em se tratando de um bom cristão, forte demais para o diabo, salvou o mordomo das mãos dos espíritos, entregando-o de volta aos amigos.

O lorde Orrery, sabendo do acontecido, curioso em saber a verdade, mandou chamar o mordomo, com a anuência do seu empregador, e pediu que ele passasse algumas noites em sua casa, no que foi atendido pelo empregado. No dia seguinte o empregado informou ao conde que o fantasma viera visitá-lo, dizendo que antes de terminar o dia, ele seria novamente raptado e desapareceria nas mãos dos espíritos do mal, a despeito de qualquer medida de proteção que lhe fosse feita. Diante disso ele foi levado a um amplo aposento onde um grande número de pessoas santas iriam defendê-lo de Satã. Entre elas estava o famoso exorcista, senhor Geatrix, que morava na região e sabia como tratar o diabo. Havia ainda dignitários eminentes, entre eles dois bispos, todos aguardando o inexplicável e prodigioso acontecimento.

Até meados da tarde nada aconteceu, mas logo depois notou-se que o paciente começava a levitar, sem qualquer ajuda visível, fato que levou o senhor Geatrix, e outro homem de compleição muito forte, a tentarem segurá-lo junto ao chão. Mas o diabo se mostrou mais poderoso e, retirando de suas mãos o mordomo, passou a transportá-lo por sobre as cabeças dos presentes, atirando-o de um lado para o outro, como se fosse um brinquedo. As pessoas corriam desatinadas por baixo do homem pretendendo evitar que ele caísse no chão. Inesperadamente a brincadeira dos espíritos terminou e o mordomo recolocado na sua posição inicial, surpreendendo a todos pelo fato de não ter sofrido sequer um arranhão, o que demonstrou que o demônio é poderoso e brincalhão.

Tendo os espíritos abandonado o seu passatempo e deixado o objeto de escárnio repousar, restava a todos se recolherem e o lorde ordenou que dois dos seus empregados dormissem com o mordomo, evitando que outra entidade viesse raptá-lo.

Apesar disso, na manhã seguinte o mordomo veio contar ao lorde que o espírito voltara, com a aparência de um médico, trazendo um prato de madeira cheio de um licor verde. Contou que tentou acordar os companheiros e que o espírito lhe informara que eles estavam encantados, mergulhados em profundo sono, mas para não temer, porque ele era o mesmo espírito que lhe aconselhara no campo para que não se juntasse ao grupo, quando partira para comprar as cartas-de-baralho, e acrescentou que se ele não tivesse recusado o que oferecia o grupo, teria passado a sofrer a vida inteira. O espírito estranhou o fato dele ter escapado no dia anterior porque haviam lhe preparado grande maldição, mas que no futuro não haveriam novas tentativas. O mordomo contou ainda que o espírito lhe havia diagnosticado dois males, mas, para demonstrar sua boa vontade, lhe trouxera um remédio, feito à base de raízes de bananeira.

Como o mordomo, já cansado daqueles charlatões vestidos de médico, não se deixou convencer e negou-se a tomar o remédio, enfureceu-se o espírito, que mesmo proclamando afeição por ele, se eximia de responsabilidades, alertando-o de que sofreria dos acessos até o fim da vida.

Nessa altura o doutor espiritual, senhor Geatrix, lhe perguntou se já conhecia o espectro e o mordomo enfatizou que nunca o havia visto antes do dia em que saíra para comprar as cartas-de-baralho. Sabia apenas que o próprio se identificava como o fantasma errante, a alma penada de seu velho conhecido John Hobby, falecido há sete anos, e insistia que, por causa do mal que fizera na vida, tinha que andar com aqueles maus espíritos que o mordomo conhecera. Lamentava-se por ser levado de um lado para outro, sem condições de repouso, fadado a continuar no mesmo estado miserável até o dia do juízo final. Em seguida, em tom de reprimenda concluíra:

- Se você tivesse servido o seu Criador nos dias da juventude, rezado diariamente, inclusive no dia em que saiu para comprar as cartas-de-baralho, não teria despertado nos espíritos a ansiedade de atormentá-lo.

Terminado o relato diante da família do lorde, dos bispos e outros dignitários, todos se reuniram para definir e julgar o comportamento do mordomo que seguira os conselhos da alma penada e depois se negara a tomar o remédio de raízes de bananeira. A questão se iniciou dando a impressão de que o debate seria longo e mistificador, mas os bispos entenderam por conta deles, que, se por um lado o mordomo havia se portado como um bom cristão aceitando o conselho da alma penada, abstendo-se de aceitar os convites dos espíritos, por outro lado negara-se a obedecer a mesma, não bebendo o remédio. Chegaram os bispos à simplória conclusão de que nenhum homem deve usufruir do mal, mesmo com a esperança de conseguir o bem.

Pobre mordomo que depois de todos os sofrimentos não obteve nenhuma recompensa, seja por alguma benção ou título, ou pelo remédio da alma penada que lhe amainaria seus sofrimentos nos acessos.
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