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18.9.08

FESTA DOS CACHORROS

O escritor Valdeci Garcia estréia como colaborador da Câmara com um conto arrepiante
FESTA DOS CACHORROS

VALDECI GARCIA



Os cachorros faziam festa todas as madrugadas quando ele chegava. Depois que ele morreu, calaram-se por três dias e três noites. Na quarta noite, às 3 horas da madrugada, Assumpta acordou assustada com o tropel dos cachorros no quintal. Eles faziam festa para alguém – a mesma festa que faziam para o falecido dono. Assumpta abriu a janela e viu o portão aberto. Os cachorros saltavam e corriam de um lado para o outro do quintal espaçoso. Ela sentiu medo e fechou a janela. Voltou para a cama. Cobriu a cabeça. Ficou escutando os latidos lá fora. Depois de cerca de cinco minutos, tudo silenciou. Curiosa, levantou-se e abriu a janela novamente: o portão estava fechado; os cachorros dormiam em suas respectivas casas. Na madrugada seguinte, também por volta das 3 horas, aconteceu a mesma coisa. Mas, desta vez, depois que os cachorros silenciaram, Assumpta sentiu que alguma coisa gelada se deitava ao seu lado na cama de casal. Seu corpo gelou até a raiz dos cabelos. – Besteira minha – pensou, enquanto sacava do rosário e se punha a rezar para a alma do marido defunto. Mas as orações não evitaram que a festa dos cachorros acontecesse todas as madrugadas; e que Assumpta sentisse o calafrio mortal logo depois que os cães silenciavam. Chamou a mãe e lhe disse: “Mãe, acho que o falecido está me assombrando”. A velha lhe explicou que isso era normal, quando o casal se separava pela morte abrupta de um deles, fosse o marido ou a mulher. Aconselhou a filha a irem ao cemitério levar flores e dizer, ao pé da lápide, que a morte acabara com o santo laço que os unira; que o morto fosse com Deus.


O falecido, porém, não foi com Deus. Numa noite fria, Assumpta acordou com grunhidos no cômodo ao lado. Levantou-se rapidamente e correu ao quarto da mãe. Encontrou-a suspensa no ar por mãos invisíveis. Debatia-se com a língua de fora e o rosto congestionado: alguém a tentava enforcar. – Seja lá o que for, solte minha mãe, pelo amor de Deus! – Assumpta gritou, no mesmo instante em que o corpo da velha se chocava com o chão, livre do mal que o afligia.

Na manhã de chuva, céu púmbleo, Assumpta foi até o cemitério com a mãe. Encontrou-o deserto àquela hora. O coveiro, com cara de sono, mal respondeu quando elas lhe disseram “bom dia”. Seguiram pelas aléias cinzentas, passaram por túmulos seculares, e desembocaram no setor mais novo do cemitério. Impaciente, Assumpta caminhava na frente da mãe: queria chegar logo ao túmulo do marido. Por este motivo, a anciã não pôde sequer tentar segurá-la ao vê-la cair para trás, numa síncope; quando chegou ao túmulo e deu com ele aberto: o cadáver do marido havia sumido. (Na casa de Assumpta, nesse exato momento, os cachorros faziam festa.)

Um comentário:

Anônimo disse...

Ótimo conto. Já conheço este autor de outros sites. Um dos melhores que tenho visto na net. Parabéns ao site por trazer tanta gente boa. RONE DIAS

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