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29.8.09

LONGA ESPERA - CELLY BORGES

Escritora paranaense Celly Borges retorna á Câmara com uma história sobrenatural. Um crime hediondo; um poder maligno gerado pela violencia dos fatos. Boa leitura!



LONGA ESPERA

Por Celly Borges

Eu estava parada em frente aos portões daquela casa antiga. Olhei para dentro e soube que não deveria estar ali mas já era tarde demais no momento em que entendi isso. Entretanto os portões não se abriram repentinamente como eu mesma acreditei que fariam. Percebi que uma luz surgia às minhas costas.

Ao me virar, notei que vinha a altura de meus joelhos uma lamparina bastante luminosa, mas o que me deteve e atemorizou, foi quem a carregava, uma criança deformada. Era este pequeno ser um espírito.

Minha mente clamava para que eu corresse dali, mas meus pés se enterravam na lama e no mato que crescia demasiado.

A criança se aproximou de mim e me olhou com olhos tristes e repletos de desespero.

E eu não conseguia me mexer.

Maldita hora que eu prestara atenção a um sonho. Sonho este que eu tivera noite passada em que alguém me pedia para que eu fosse àquele lugar nunca visto antes. Ao acordar, na mesa, ao lado de minha cama, estava um papel com o endereço recebido no sonho. A ausência de qualquer objeto para eu ter anotado me incomodou. Porém, mesmo se não tivesse escrito, lembraria. Acordei com as palavras exatas, todas em minha mente, claras.

A curiosidade era tão intensa, eu própria não entendia e ali estava eu, na frente daquele ser, sem conseguir recuar, pois minhas pernas impediam qualquer movimento.

A assombração estendeu sua pequenina mão e percebi um objeto, uma única chave. Com um movimento, insistiu para que eu pegasse. Mesmo receosa, aceitei e a criança virou em direção ao portão para assim, iluminá-lo e utilizando a chave, abri.

Ainda com auxilio do pequeno ser, o qual eu já sentia carinho, apesar da situação inusitada, seguimos e ao longo do caminho, vi um pouco longe, algo como lápides, mas não pude analisar com atenção, afinal, a luz já seguia longe e eu não queria ficar no escuro naquele lugar estranho, que deveria esconder muito mais do que o fantasma de uma criança.

A porta da frente estava entreaberta, a criança já subia as escadas, segurando a lamparina, corri para alcançá-la, ela se virou e levou o dedo à boca em pedido de silêncio. Então fui mais devagar.

O lugar era escuro e assustador, só iluminado fracamente pela luz da lua que entrava pelas janelas. Seguimos pelo corredor, do último quarto podia-se, por debaixo da porta, ver que a luz estava acesa.

Não se o que me acontecia, não conseguia parar ou retornar. Já não era eu quem guiava meus pés. Algo me fazia avançar cada vez mais. Senti quando as lágrimas começaram a escorrer por meu rosto todo. Sem sucesso, eu tentava agarrar os objetos próximos. Minhas pernas estavam descontroladas. Ouvi movimentos vindos do quarto e a porta foi aberta a fim de saber o que acontecia do lado de fora.

E eu o vi. Era meu marido. O marido que me abandonara logo depois que meu filho completara dois anos e o levara com ele. Senti um terrível ódio e percebi que ainda segurava um dos objetos que agarrara, na intenção de não chegar até ali, um vaso de louça, e sem saber como comecei a golpear a cabeça de meu marido, com força descomunal.

Havia um espelho em minha frente, na parede, denunciava meus olhos vermelhos como o sangue e meu rosto deformado pelo ódio e pela fome.

Quando consegui voltar a mim, meu semblante já se mostrava normal, mas eu segurava um pedaço do vaso e vi aquele homem totalmente desfigurado caído em minha frente, morto, sem sangue. Como em meu sonho.

Olhei em volta a procura da criança, no entanto, tinha desaparecido com a lamparina. Desci as escadas, sem saber por que, mas com uma ideia em mente.

Lá fora, no meio do quintal, a lamparina caída ainda brilhava ao lado das lápides, usei a fim de iluminar o nome que estava em uma delas e lá estava o nome de meu filho.

Tudo aconteceu como em meu sonho maldito que avisou sobre meu marido ter matado meu filho com golpes de um vaso que estava no corredor daquela casa. Incrivelmente eu sabia que ele não era o culpado. O único que deveria levar a culpa pelas mortes de todas aquelas pessoas enterradas no quintal, era algo que morava naquele lugar.

A mesma coisa que fora me buscar em meu sonho e agora me prenderia ali com a certeza, minha e dela, de que eu seria a próxima a alimentar com meu sangue aquele monstro invisível. Era só uma questão de tempo, até que surgisse a próxima vítima e me enterrasse ao lado de meu marido e meu filho.

Agora eu só podia esperar.

2 comentários:

Pedro Moreno disse...

Muito Bom! Parabéns!

Lino França Jr. disse...

Aê Cellyta, belo conto. Bom final também. Foi surpreendente. Parabéns.

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