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9.12.06

O ASSOMBRO NA CASA DO SIDEMAR

















Rogério silvério de farias, lendário colaborador das clássicas revistas "Mestres do Terror" e "Calafrio", da Editora D-Arte, na década de 80, estréia como colaborador da câmara com um conto fantasmagórico assustador baseado em fatos reais!!!







O ASSOMBRO NA CASA DO SIDEMAR

Conto de Rogério Silvério de Farias





Querem ouvir? Eu conto! Mas é uma história de horror! Vocês têm certeza de que estão preparados para as coisas medonhas que vou contar? Estão?... Então, meus senhores, vou contar, mas não me responsabilizo pelos danos que esta história macabra possa causar em seus nervos. A história é deveras apavorante. Portanto, quem tiver nervos fracos, que vá ler outra coisa, outra coisa fresca como Paulo Coelho, por exemplo. Gosto de falar sobre as sombras e os mistérios que nelas habitam, gosto de falar da noite e do medo, do que se oculta nas trevas, do pânico, do horror catacúmbico. Gosto de falar das criptas, dos sepulcros antigos, dos pântanos enevoados, dos desertos e bosques solitários onde seres invisíveis dançam a terrível melodia da morte. Gosto de falar não somente das coisas do Céu e da Terra, mas das coisas do Inferno também. E que Deus tenha piedade da minha alma de contador de histórias proibidas e fantásticas!
A casa tinha sido erguida sobre um antigo sambaqui, nas regiões do Sul onde proliferam tais lugares estranhos onde jazem ainda restos de esqueletos, acumulados pelos habitantes pré-históricos do litoral e das margens de lagos e rios brasileiros, sítios onde antigas forças invisíveis parecem atingir o paroxismo nas noites de lua cheia. Forças etéricas, ali, são geradas, forças místicas, de incalculável assombro catacúmbico e nosferático, disso eu não tenho dúvidas.
Coisas estranhas aconteceriam naquela casa. Coisas comuns não a Terra, mas aos abismos negros que existem nas profundezas do negro Inferno.
Estava eu e o Sidemar, na casa. Era verão. Calor. Noite quente, abafadiça. A noite era de lua cheia. Propícia a fenônemos paranormais, sobrenaturais. Fenômenos que desafiam toda a lógica apregoada pelo ceticismo estéril.
Somente a luz da tv ligada, nós assistíamos um imbecil programa de auditório. Devo dizer que meu amigo Sidemar era um tipo estranho, excêntrico. E solitário. Sua família pedira que eu passasse um fim de semana com o sombrio cavalheiro de olhos tristonhos e negros como os poços do mundo da escuridão dos demônios. Eu não o conhecia muito bem. De sua infância e adolescência eu pouco sabia. Era psicólogo e advogado, o Sidemar, mas não exercia nenhuma das profissões; vivia de vender suas pinturas a óleo, quadros em estilo surrealista. Também era poeta bissexto, vez por outra publicava um livrinho contendo poemas que lembravam o estilo de Edgar Allan Poe.
De repente, das trevas da noite... entrou uma coisa alada, negra, lépida. Enfiando-se janela adentro, balançando as cortinas.
A princípio pensei tratar-se de um maldito morcego. Ou então um pássaro ou inseto da noite estival. Mas não era. Era algo muito estranho, pude ver na penumbra iluminada pela luz azulada da tv, era algo como uma imensa borboleta negra, em cujas asas viam-se desenhos estranhos, como que mandalas feitas por algum lunático.
Agora, nesta parte da história, quero falar sobre cadáveres. Mais precisamente, um cadáver.
A minha história tem cadáver, meus amigos. Eu não escrevo coisas edulcoradas e esperançosas. Não sou um Paulo Coelho. Eu sou Rogério Silvério de Farias, o sombrio, aquele que escreve como quem desenterra cadáveres.
Acontece que morreria alguém na frente da casa onde estávamos. Um motoqueiro fincou a cara no poste. Seu rosto ficou estraçalhado, uma massa de sangue e carne lacerada, amassada horrivelmente. Lavado de sangue. Na verdade sua cabeça quase fora arrancada com o impacto brutal.
Fomos averiguar, o estrondo tinha sido grande. A suposta borboleta sumira, voando e saindo pela outra janela. Tínhamos largado a tv e ido atrás da coisa alada. E agora estávamos olhando para o poste a frente da casa, e o cadáver do motoqueiro.
Ele quebrara o pescoço. A posição grotesca do cadáver, a motocicleta jogada ao chão, tudo deixava meu amigo Sidemar ainda mais nervoso, mas ele tinha me seguido até o portão.
Logo encheu de gente no local. Vizinhos e curiosos, alguns de pijama. Era mais de meia noite.
Meu amigo Sidemar ficava cada vez mais nervoso. Ele começou a dizer que a borboleta negra, ou o que quer que fosse aquela coisa alada, era o Anjo da Morte.
Mas o pior ainda estava por vir. O horror estava só começando.
Os companheiros do motoqueiro, que vinham da mesma festa da qual viera o morto, chegaram atrasados e ficaram atônitos ao ver o acidentado, vitimado pela morte.
Um deles, o irmão do defunto, começou a chorar como uma criança, dizendo: “Ele acelerou a motocicleta por causa daquela coisa na estrada, aquela coisa, aquela assombração do Inferno que vimos na estrada, a menina, a menina de branco..."
Incrédulo, comecei a indagar sobre quem era a tal menina de branco. Engoli em seco a ouvir de um vizinho uma explicação. Senti um calafrio na espinha.
Corriam lendas locais sobre essa menina, uma assombração contada por pescadores mais antigos.
Diziam os velhos caiçaras, ela é o ANJO DA ESTRADA DO INFERNO!
Pasmei ao ouvir aquilo.
A visao do cadáver com a cabeça quase que totalmente destroçada no poste, caído grotescamente, e a sirene da ambulância chegando...tudo deixava meu amigo Sidemar num estado de nervosismo alucinante.
Os primeiros pingos de chuva, os trovões soando, o relâmpago iluminando o pobre motoqueiro morto, agora sendo levado para o necrotério da cidade.
Eu sabia que os horrores daquela noite logo atingiriam o zênite da loucura. Meu amigo sentiu-se mal depois que a ambulância levou o cadáver do motoqueiro.
A chuva aumentou e entramos para dentro de casa. A chuva era forte, agora.
Fomos dormir com a imagem do cadáver com o pescoço quebrado em nossa mente.
Adormeci com um pensamento de revolta na mente: "Por que Deus pôde matar alguém assim? Por que a morte, Deus? Acaso seremos nós o teu gado?"
Lá pelas três da madrugada acordei-me num sobressalto.
No quarto ao lado meu amigo estava gritando de terror.
Havia faltado energia elétrica, imaginem a minha situação e o meu desespero quando tentei inutilmente acender as luzes, pressionando o interruptor.
Então acendi um isqueiro, e fui ao quarto de meu amigo. O que vi me deixou apavorado.
Iluminei o rosto de meu amigo, sentado na cama.
Eu preferia que Deus tivesse me cegado, nunca vou esquecer...Meu amigo Sidemar estava apavorado, babava, suava, tremia, os olhos deles contemplavam algo na escuridão medonha do quarto. Algo terrível. Algo medonho. Um assombro!
Eu estava meio sonolento ainda, mas eu vi, eu vi o horror!Juro que vi! Não, senhores, eu não sou louco! Um louco não guardaria na memória aquela cena sobrenatural, aterrorizante...aquele vulto sinistro...um vulto espectral, uma sombra, uma sombra do país dos mortos, uma sombra do Além!
Era o corpo astral do motoqueiro que morrera diante da casa, horas antes, isto era óbvio. O pescoço quebrado do espectro era a cópia idêntica da cabeça do cadáver que eu vira, caindo para o lado do corpo como a cabeça de um boneco desarticulado e bizarro...O que se seguiu foi a inconsciência para mim. Não lembro de muita coisa a partir de então.
Desmaiei, sim. Quanto a meu amigo... Seu juízo havia sido perdido, para sempre. Ele enlouquecera de medo, eu acreditava!
Quando acordei e me levantei do chão, a chuva havia passado.
Os primeiros raios da aurora iluminavam nossos rostos pálidos, lívidos ainda de terror...
Sacudi meu amigo tentando despertá-lo do torpor da loucura.
“Meu amigo!”, eu disse, ainda meio zonzo, “O que aconteceu depois que eu desmaiei? Conte-me, o que houve? Fale, homem , pelo amor de Deus!”
Ele permanecera em silêncio, seus olhos arregalados contemplando o infinito dos precipícios escuros da mente!
“E aquele vulto? Fale, seu maldito!O que,afinal, houve depois que eu desmaiei?”.
“Roger, meu amigo e irmão”, ele me disse, a voz trêmula como que atravessada pela eletricidade infernal do medo, “Roger, eu conversei... com o morto! O motoqueiro, Roger! Ele me contou coisas, muitas coisas...”
“Seu palerma e idiota!”, eu gritei, enfezado como um anjo caído, desferindo um tapa violento no rosto de Sidemar.
Ele me disse então, a voz gutural: “O morto, Roger, o motoqueiro morto, eu vi o corpo astral dele! E você também viu antes de desmaiar, você chegou a vê-lo, confesse!...Ele, o motoqueiro, nao queria morrer, Roger...A passagem foi violenta...Roger, ele...Ele se recusa a acreditar que está morto, Roger...
Num acesso de cólera, eu gritei, pegando-o pelo colarinho, sacudindo-o, dizendo: “Cale a boca, seu retardado! Nós não vimos nada, foi alucinação, um pesadelo! Foi sugestão, vimos o cadáver do motoqueiro em frente da casa, isso nos abalou mentalmente. Foi alucinação provocada pelo medo extremo!”
“Roger”, ele me disse, começando a rir e chorar ao mesmo tempo. Algo como um ricto boçal de loucura contorcendo seu semblante. “Roger...nao existe morte...Roger, há apenas a PASSAGEM... A passagem para as enlouquecedoras dimensões além da matéria física...Nós continuamos após a morte, levamos toda nossa loucura e angústia conosco! Estamos todos perdidos, Roger! Nós vamos morrer e acordar no Além, perdidos, solitários, confusos. Desesperados!”
Neste instante meu amigo soltou uma gargalhada que explodiu na casa como uma granada lançada por um demônio da loucura. Enfim, a demência total se apossara de Sidemar. E eu, trêmulo, peguei o celular e liguei para sua família, chorando em desespero.
Certas coisas na vida a gente nunca esquece. Nunca. Este foi o caso do Sidemar, a história do assombro na casa do Sidemar.
Duas semanas depois fiquei sabendo de seus familiares a verdade. Meu amigo Sidemar tinha um grau de mediunidade. Uma mediunidade não desenvolvida corretamente.
O tempo passou, fui crescendo, envelhecendo. Nunca mais tive um amigo de verdade. Nem mesmo um amigo estranho como Sidemar. Nunca mais o vi, desde então. Mas os horrores sobrenaturais daquela noite maldita ainda permanecem indeléveis em minha mente atormentada e solitária diante dos mistérios fantásticos da vida e da morte!

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