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6.10.09

A FLORESTA ASSOMBRADA - MÁRCIO FERNANDES



A FLORESTA ASSOMBRADA

Márcio Fernandes


Amazônia, 00h15m!

Aqui e o comando bravo charlie chamando o comando sierra delta! Uma breve interferência de radio e...! Aqui e o comando bravo charlie chamando o comando sierra delta! Respondam pelo amor de Deus! Nova interferência de rádio e...Silencio...! Assim terminara a transmissão de rádio!

Eu havia me alistado há cerca de um ano e seis meses. Pertencia ao 32º Batalhão de Infantaria, que tomava conta das fronteiras do Brasil com a Colômbia, na região Norte. Éramos o Comando Sierra Delta e acabávamos de desembarcar dos helicópteros em uma aldeia indígena protegida pela FUNAI que ficava próxima ao Rio Negro! O comandante havia sido designado para montar uma equipe de salvamento com a missão de resgatar uma equipe que havia enviado um pedido de socorro a sete horas atrás!

Logo que desembarcamos um grupo de índios veio nos recepcionar. Várias crianças da aldeia, mulheres e homens, todos índios, estavam entusiasmados com nossa presença. Prontamente, o Sargento Eriberto foi agrupando todo o pessoal.

- Comando sierra delta, a minha frente, coluna por três, cooooobrir! Bradou o sargento!

Todos, imediatamente cumpriram a voz de comando. Depois o sargento apresentou a tropa para o comandante, o qual assumiu o comando.

- Senhores, nossa missão e de extrema importância. Há poucas horas atrás, recebemos um pedido de socorro de nosso posto avançado norte. Todos vocês estão treinados e capacitados para participarem desse resgate. Conto com os senhores!

Sem mais uma palavra, nosso comandante deixou a tropa ao comando do Sargento Eriberto. O mesmo nos dispersou por algum tempo, pois tínhamos que chegar o mais rápido possível ao posto avançado norte. Em seguida se dirigiu ao local onde o comandante se encontrava. Iria tratar dos últimos detalhes da missão.

Eu tratei de ir até uma tina de água que se encontrava ao lado da porta de uma cabana indígena. Meu cantil estava quase vazio e precisava ser reabastecido. Estava um calor insuportável. Pelo menos uns trinta e cinco graus e já eram quinze para as quatro da tarde. Ao lado da tina d’água, retirei meu capacete, molhei minha cabeça e depois abasteci meu cantil. Como tínhamos alguns minutos ainda, me sentei ali mesmo e acendi um marlboro. Entre uma tragada e outra, notei que um menininho estava me observando da porta da cabana. Era um indiozinho. Eu fiz um sinal para ele se aproximar e aos poucos ele veio ao meu encontro. Então eu resolvi falar.

- Oi garotinho? Tudo bem com você?

A princípio ele nada me respondeu! Apenas sorriu. Até que...

- Oi moço?

- Oi! Bacana sua aldeia!

- Eu nasci aqui. E o senhor?

- Eu sou de São Paulo.

- O senhor e do exercito?

- Sou sim! Você gosta?

- Não muito! O pajé disse que vocês matam as pessoas com esses paus de fogo!

- Não necessariamente! Só quando é preciso!

- O que vocês estão fazendo aqui?

- Estamos em uma missão, mas não posso falar muito!

- Vão para as matas?

- Sim, na verdade vamos para as matas na cabeceira do rio.

- Cabeceira do rio? Rio Negro?

- É!

- Não vai não moço! Lá e um lugar muito ruim!

- Não tenho escolha. E meu trabalho!

- Não moço, lá e lugar ruim! Cheio de espíritos maus! E a casa do Anhangá!

- Hei garoto! Fica frio! Esse brinquedinho aqui espanta até o capeta!

- É verdade! Quem vai lá não volta! Não vá não moço!

De repente, o Sargento Eriberto reuniu a tropa novamente e eu deixei o menino falando sozinho! Após as ultimas instruções, todos embarcaram nos helicópteros. O local da operação era inacessível para veículos terrestre e a pé, demoraria uns dois dias! Não tínhamos tempo. Em poucos minutos estávamos sobrevoando a área do posto avançado norte. Deus do céu! Do alto dava para ver tudo destruído. Sem sinal de vida! Confesso que fiquei um pouco inseguro, mas aos poucos a adrenalina foi tomando conta de mim e logo eu já estava doido para descer e descer bala em quem quer que tenha feito aquilo!

Quando pousamos no posto avançado, todos foram logo tomando suas posições. De um lado o sargento orientava parte do grupo enquanto do outro o comandante e um grupo menor fazia uma inspeção do local. Não demorou muito para o comandante descobrir que não havia ninguém no posto avançado. Nem uma viva alma. Nem cadáveres. Todos ficaram inicialmente atônitos com o local. O que houve naquele lugar! Era como se nunca estivesse havido ninguém ali. Começamos a desembarcar nosso equipamento e usaríamos as instalações do local para passar a noite ali. Alias faltava pouco para a noite cair, era mais ou menos umas quinze para seis da tarde. Não demorou muito para acendermos as luzes, pois na floresta, escurecia muito rápido. Em uma das cabanas o sargento estava com o comandante bolando uma escala de turno de serviço. Dividiria o efetivo em grupos que se alternariam na vigilância do local.

Estava muito calor, mesmo depois do por do sol, fazia um trinta graus. Meu turno começaria as vinte e três horas, e ainda me restava alguns minutos. Estava descansando o corpo em uma rede fumando um cigarrinho quando escutei o grito de alguém seguido de uma rajada de tiros vindo do lado sul da base. Fui até a janela e notei que não só eu, mas todos escutaram a mesma coisa. Estavam todos alvoroçados, mas logo o sargento e o comandante trataram de agrupar o pessoal. De repente outro grito! Dessa vez, mais perto! Mal o comandante agrupou o pessoal e novamente, outro grito. Estava claro! Algo estava atacando as sentinelas escaladas naquele turno.

Subitamente, todas as luzes do acampamento se apagaram! Caramba! Será que eram as FARC? Tudo estava um breu só. Conferi rapidamente minhas munições extras e fiquei em alerta, mas novamente surgiu outro grito, seguido de um pavoroso rosnado! Aquela área era totalmente selvagem, repleta de animais de grande porte. Todos estavam a postos, mas até onde podia enxergar, podia ver o medo no semblante de meus companheiros. Novos gritos iam surgindo sucessivamente e cada vez mais próximos de nos no acampamento. Foi quando eu estava encostado em uma amurada do posto avançado, senti um peso em meus ombros e olhei para traz! No inicio tentei compreender! Uma mão enorme me agarrara pelo ombro e me puxou para o lado. Imediatamente cai ao solo e quando me virei, meu sangue congelou! O que era aquilo? Parecia um homem! Pelo menos sua silhueta era de um homem! Estava escuro e o escuro costuma pregar peças na gente, mas... Quando se aproximou, eu fiquei atônito! Aquilo não era humano! A gritaria continuava a ecoar pela floresta e eu frente a frente com aquela criatura. De pronto, disparei meu fuzil naquele bicho. Eu o acertei e ele soltou um grito infernal. Como um raio ele desapareceu floresta adentro. Sai o mais rápido possível na tentativa de ajudar meus companheiros. Mas a cada metro que eu avançava, tropeçava em cadáveres de companheiros meus. Meu Deus, quase todos estavam mortos. O sargento, o comandante! Só restavam alguns poucos. Dava para sentir o cheiro do sangue espalhado pelo acampamento e à distância podia-se ver mais dessas criaturas se alimentando de meus companheiros. Se não estivesse acordado, podia jurar que este sem dúvida era o pior pesadelo que eu tive! Assim como os poucos colegas que me restavam, eu atirava sem parar nas criaturas, embora não estivesse resolvendo muito, pois elas caiam e logo se levantavam! O que poderia ser aquilo? Nem com os tiros eles morriam! As horas foram se passando e nossa resistência já estava quase minando. Eu e mais alguns companheiros ficamos entocados dentro de uma das cabanas do acampamento! Fizemos uma bela barricada na porta. Por fim conseguimos nos proteger das criaturas, mas lá de dentro dava para ouvir os outros colegas gritando até morrer! Depois de muito tempo um silêncio pavoroso tomou conta da base. Todos estavam mortos! Mas ainda dava para sentir o sussurrar infernal daqueles demônios ou sei lá o que. Podia senti-los próximo da porta e das janelas da cabana. Ficavam arranhando as janelas e a porta, tentando entrar na cabana. Os poucos que ainda estavam vivos junto comigo, estavam em estado de choque! Alguns, feridos gravemente! As horas demoraram a passar até que os primeiros raios solares invadiram a floresta e iluminaram o acampamento. Eu e meus companheiros havíamos adormecido e por sorte ainda estávamos vivos! Fomos acordados pelo barulho de motores. Saí da cabana e graças a Deus, nem sinal das bestas! No alto, dois grandes helicópteros estavam prestes a pousar no acampamento. Era outro grupo de salvamento!

Depois daquela noite nunca mais fomos os mesmos! Tanto eu quanto meus companheiros que sobreviveram ficamos abalados com os acontecimentos daquela noite! Também nunca mais tive noticias deles!

Hoje vivo em uma casa de repouso para perturbados mentais! Vivo a poder de remédios e sedativos e vez ou outra aparece alguém da minha família em dia de visita! Às vezes eu conto essa história para aqueles que me visitam, mas quem vai acreditar em um louco!

FIM

3 comentários:

★Carla_Witch Princess★ disse...

Oi, Evaristo!
Adorei esse conto!
Tem selinho pra vc lá no meu blog...
Bjinhosssssss

Vampirella disse...

oi th um selo p ti no meu blog passa la e escolhe :D

seguidorlovecraft disse...

De fato: "...quem vai acreditar em um louco?"
Ótima essa história.
Muito bem escrita. Deu, inclusive, para sentir aquela mão pousar no ombro!
Quero crer que aquelas bestas eram o grupo que seria salvo pelos "Sierra Delta". Imaginem: os "Bravo Charlie", transformados em bestas, atacando?!
Parabéns ao Márcio Fernandes. Ótima história!

Abraços
LNN

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