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29.11.08

O DEGHAMMON (Primeira parte)

Este é um dos vários contos do escritor Henry Evaristo que jazem inacabados. Este ano a terceira e última parte deste trabalho deveria ter sido publicada entre setembro e outubro mas até o presente momento não foi possível ao autor finalizá-la a contento. No entanto, considerando o bom número de apreciadores da idéia central da obra, em grande parte difundida nos meios internéticos pelo escritor Rogério Silvério de Farias (fã confesso da entidade sobrenatural das colinas de Hazsdan), resolvemos publicar as duas partes existentes numa tentantiva de contribuir para despertar no escritor o ânimo para que ele nos entregue o quanto antes a finalização do trabalho. Boa leitura!










O DEGHAMMON


(Primeira parte)

Um conto de Henry Evaristo

Em uma região isolada do mundo, onde a presença do homem ainda hoje é inusitada e efêmera, há uma estrada que leva aos pés de uma montanha íngreme e gelada; Lá, pára abruptamente como se impedida de avançar por alguma força avassaladora que a transforma radicalmente em um pequeno caminho incrustado na pedra que vai subindo até se perder na altura imensurável.

Ao redor desta montanha estende-se, como um oceano misterioso e inescrutável, um profundo bosque de pinheiros cujas copas estão constantemente recobertas por uma espessa camada de neve. Uma e outra, montanha e estrada, dormem solitárias em seu mundo gelado e não recebem nem gostam de receber visitas. O bosque silencioso e escuro é sua única companhia e o ballet das folhas e dos galhos dos pinheiros, açoitados pelo vento cortante, é o único movimento aceitável. Chuvas constantes mantêm a atmosfera úmida, mas a lama que se forma está sempre imaculada por que não há nenhuma vida animal que lhe possa imprimir marcas. Em silêncio e mantendo-se escondida, no entanto, há ali uma força indescritível e malévola.

Homens estranhos, vindos de algum lugar para além da montanha e dados a uma cultura de sortilégios e outras práticas mágicas, construíram a estrada há milênios, pois precisavam dela para transitar com suas mercadorias escusas. Mas a mudança das eras e a chegada de um inimigo terrível os fizeram desaparecer da região para sempre a deixando abandonada e só pelos séculos vindouros. Antes, porém, um terrível conflito se deu neste lugar e o sangue jorrou abundante pelas matas e colinas alcantiladas emprestando a tudo um odor de mal-agouro; um presságio de eras malditas banhado nos fluidos de antigos conjuradores. Não houve sequer uma alma para se salvar da violência daqueles dias e, exauridas as vontades e as vidas, com o declínio do bem, o bosque mergulhou no mais profundo esquecimento. O inimigo, vencedor incólume, descansou e esqueceu-se de si mesmo perdendo-se depois no tempo tal qual o urso pardo que ali hibernava em outras épocas quando o sol ainda não se tornara tão cinzento.E o oponente devorador ficou tão quieto que o próprio mundo se esqueceu dele.

Então a floresta se calou, e assim também a estrada e a montanha; e o silêncio, tão comum e repetitivo, passados mil anos, tornou-se a única verdade conhecida.

No entanto, na noite do primeiro milênio, a consciência coletiva do bosque, da estrada, dos pinheiros e da montanha percebeu uma alteração em suas verdades. Uma outra inteligência, conhecida de velhas eras, começou a se esgueirar pelos ermos, escondendo-se por trás das árvores na neblina, errando aqui e ali, perscrutando o ambiente. Uma força irresistível emanava daquela nova presença e toda a existência da região se abalou.

Diante da ameaça, a consciência do bosque, da estrada, dos pinheiros e da montanha sentiu-se impelida a reagir. De tudo tentou para dominar a vontade alienígena, mas estava impotente frente ao poder indescritível; aturdida com tão grande afronta a sua soberania. Ventanias vieram; nevascas, tremores de terra, mas nada foi capaz de afugentar a entidade obscura que tentava se apossar de tudo.

O tempo passou. Impotente, a consciência do bosque, da floresta, da estrada e da montanha aceitou a autoridade de um poder maior que o seu e um silêncio angustiado se fez onde antes havia uma calma milenar. O inimigo dos homens de outrora estava de volta.

Na primeira madrugada do século XXI todo o existir daquele lugar antigo encolheu-se e resignou-se a dar passagem a uma aberração que estava solta no mundo e os moradores da cidade mais próxima, a mil quilômetros de distância, inquietaram-se com os gritos pavorosos emitidos pelos animais da região. No momento em que o horror saltou dos confins do bosque para o meio da estrada escura todos os cães uivaram num lamento que congelou o sangue nas veias de quem ouviu. Os ânimos se acirraram e antigas contendas, há muito sufocadas, vieram à tona e foram às vias de fato. Ataques violentos tomaram conta da noite da cidade e, nos hospitais, doentes terminais e depressivos deram cabo da própria vida. À polícia, impotente e despreparada, coube a tarefa de tentar conter as ondas de ódio súbito que congestionavam a linha de chamadas de emergências enquanto, nos hospícios, lunáticos dilaceravam, à dentadas, as veias dos próprios pulsos.

No meio da estrada solitária dois olhos de um vermelho-sangue prateado reluziram nas trevas enquanto um corpo imenso e negro erguia-se nas patas traseiras e começava a caminhar lentamente em direção à cidade. Seu intuito era alcançar regiões um pouco mais movimentadas, pois, definitivamente, seu período de ócio terminara. Ainda que, para um alívio a muito ansiado, o hóspede que foram obrigados a aceitar os estivesse abandonando, o bosque, os pinheiros, a montanha e a própria estrada sentiram uma imensa tristeza por saber que ele estava agora indo novamente espalhar maldades entre os homens.

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